Tempo de Guarda de vinhos

Nem todo vinho é melhor mais velho. Na verdade, a maior parte dos vinhos produzidos pelo mundo é feita para ser consumida ainda jovem. Poucos são aqueles que podem ser rotulados como vinhos de guarda, uma condição dada apenas aos vinhos que possuem características especiais.

Por que alguns vinhos são bons para guardar?

A resposta para essa pergunta não é trivial. A vida de um vinho pode ser comparada com a de uma pessoa: ele tem juventude, maturidade, velhice e, eventualmente, morre. O auge da sua maturidade é o período em que ele deve ser consumido. Porém, nem sempre é possível determinar quando esse momento irá chegar ou a qual idade ela aparecerá.

Não há um componente específico do vinho que o torne bom de guarda. O que vale é o conjunto da obra: uma mistura do terroir com a acidez, o corpo e os taninos presentes na bebida. Por exemplo, vinhos ácidos e tânicos tendem a se suavizar com os anos, se beneficiando do tempo de guarda.

O que acontece dentro da garrafa de vinho?

O vinho passa por modificações físico-químicas após ser engarrafado. Como resultado, o aroma se torna mais agradável e sua cor se modifica. Uma coisa é certa: para garantir a conservação da bebida, ela deve ser mantida idealmente em um local com temperatura e umidade controladas.

Para que o envelhecimento na garrafa ocorra da melhor forma possível, ela deve ser mantida na posição horizontal. Assim, a rolha de cortiça permanecerá molhada, impedindo as trocas com o meio externo. A garrafa também deve ser conservada no escuro, uma vez que a luz catalisa reações que levam à deterioração da bebida.

O passar do tempo permite polimerização e sedimentação dos taninos, suavizando os vinhos tintos. A combinação entre o álcool e ácidos do vinho ocorre com o passar dos anos, produzindo ésteres que suavizam o sabor do vinho. Essas substâncias são produzidas continuamente, o que torna o vinho uma bebida viva que está sempre em transformação.

adega vinho de guarda

Quanto tempo devemos guardar um vinho?

Essa resposta é fácil: depende do vinho. Podemos dividir os vinhos em 4 grandes grupos, de acordo com o tempo que devem passar na garrafa antes de serem consumidos:

2 a 3 anos de guarda: são vinhos que não ganham complexidade com o tempo. Pelo contrário, se deterioram se guardados prolongadamente. Exemplos: vinhos verdes, a maior parte dos vinhos brancos, espumantes comuns, vinhos tintos leves (quase todos os brasileiros), Beaujolais

4 a 5 anos de guarda: alguns vinhos brancos e tintos mais elaborados se beneficiam com uns aninhos a mais na garrafa. Exemplos: Bordeaux branco e Chardonnay, varietais simples de Cabernet Sauvignon, Malbec e Pinot Noir, Champagnes comuns, Bordeaux e Bourgogne genéricos

6 a 10 anos de guarda: a maior parte dos vinhos mais importantes (e caros) de cada região vinícola do planeta cai nesse grupo. Exemplos: tintos reserva da Espanha e Portugal, Champagnes safrados, varietais de Syrah, Merlot e Cabernet Sauvignon de primeira linha, Bordeaux e Bourgogne especiais

mais de 10 anos de guarda: muitos vinhos fortificados e tintos mais elaborados, de preços inacessíveis para a maior parte de nós, estão nesse grupo. Exemplos: Porto e Madeira, grandes italianos (Super Toscanos, Barolos e Brunello de Montalcino), grandes portugueses do Douro, safras excepcionais de Bordeaux e Bourgogne

Deixe sua mensagem

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *